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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Uma imagem vale mais que mil palavras

O meu nome é Michael Bermudez, tenho 35 anos de idade.
Creio que tudo começou com uma maldição hereditária, porque o meu tio morreu muito jovem, com Aids. Logo depois disso, passei a não me sentir bem me vestindo de homem. Além do mais, dentro da minha casa, o meu padrasto agredia fisicamente a minha mãe e nos agredia também continuamente. Ele fazia escândalos, por isso decidi ir embora de casa para morar com a minha avó. Mudei de escola, e ali passei a observar um rapaz que se vestia como mulher.
Por um tempo não tive nenhuma aproximação, mas um dia, eu e alguns alunos que chegaram atrasados à escola fomos levados para uma sala, e entre esses alunos estava esse rapaz que se vestia como mulher. Então tive aí o primeiro contanto com ele. Passamos a ser amigos, e esse amigo me falou que eu deveria, nesse dia, roubar tudo o que eu pudesse. Saímos e roubamos em lojas e em um salão de beleza. Nessa mesma noite me vesti de mulher pela primeira vez e fomos para uma discoteca em Santa Mônica, Califórnia. Quando saímos do baile, um homem dentro de um carro começou a me chamar, então esse amigo me falou: “Vai lá, faz o que ele te pedir, e ele vai te dar dinheiro.” Era a primeira vez que eu me prostituía.
A partir desse momento, comecei a viver a prostituição todos os dias, a ponto de fazer muito mais vezes que esse amigo que me introduziu neste mundo. Perdi o interesse pela escola, abandonei totalmente as aulas e, nesse interim, meus problemas com minha avó aumentaram. Causei um desgosto muito grande para ela, a ponto de não querer me ver. Ela mandou colocar grades nas janelas para que eu não conseguisse entrar novamente na casa. Então, fui morar em um edifício onde o síndico era meu conhecido. Nesse tempo eu tinha apenas 14 anos. A minha rotina era me prostituir durante o dia.
Muitas vezes a polícia me levava ao Juvenile Hall (Casa de Detenção para Jovens), mas logo que saía voltava à minha rotina de prostituição. Também fui levado ao Group Home, lugar para jovens que saem da detenção e não podem voltar para a casa dos pais. Através desse lugar, regressei à escola novamente, mas dessa vez voltei assumindo a minha nova identidade, voltei vestido de mulher.
Test7Fugi desse lugar e novamente abandonei a escola. Passei a viver com dois amigos que se vestiam de mulher, começamos a viver em hotéis. Nessa época, fui violentado algumas vezes. Em uma ocasião, me levaram a uma montanha, e um rapaz tentou me jogar de lá. Em outra ocasião, entrei em um carro, e o homem me falou: “Hoje escolhi você para descarregar a raiva de minha noiva.” Começamos a trocar murros, e ele me falou que estava me levando para o seu bairro, porque ele e mais seis amigos iriam me espancar até acabarem comigo. Foi quando, em um momento de desespero, pulei do carro em movimento. Fiquei com parte do meu corpo totalmente ferido. Mesmo assim, continuava aquela vida de prostituição com meus amigos, vivendo em hotéis e compartilhando as despesas, e assim vivi aproximadamente por três anos.
Eu já me encontrava completamente envolvido na prostituição. Um desses amigos usava drogas e começou a me oferecer. A princípio não gostei da maconha, mas, fumando com frequência, me adaptei. Eu tinha apenas 17 anos.
Passei a frequentar a mansão de um promotor de eventos de pessoas famosas. Esse homem me apresentou a droga chamada cristal, e também conheci o ecstasy, que me causaram mais problemas que eu já tinha. Fique magro, percebi que a minha pele estava ficando diferente, e apesar de ser jovem, parecia que a pele era de uma pessoa com mais idade. Todos os meses eu estava dentro da prisão por causa das drogas.
Eu já não dormia. Todo o tempo via vultos e imaginava que todos conspiravam contra mim. Além disso, tinha visão de demônios. Era tanta a agonia, o desespero, que até para tomar banho apagava a luz, porque pensava que alguém estava me perseguindo, observando.
A prostituição já não me rendia dinheiro, os clientes não tinham mas interesse em mim, porque estava demasiadamente magro, estava continuamente drogado.
Cheguei a ponto de dormir em uma praça, sem dinheiro, drogado e rejeitado.
Foi quando a minha avó me falou da Igreja Universal. Eu aceitei, e fui com muita droga na cabeça. Fui a uma reunião de libertação e, de uma forma incrível, perdi o desejo de usar cristal, mas não me entreguei a Jesus, apesar de ter consciência que aí estava a solução para mim.
Fui viver na casa de um familiar onde estive por um ano, mas por não ter condições de ajudar economicamente, tive que sair dessa casa.
Comecei a buscar lugar para morar, e logo encontrei duas pessoas que viviam na mesma condição que a minha. Fui viver com essas pessoas e conheci um advogado que era casado e tinha filhos. Tivemos um relacionamento. Ele foi o meu namorado por um tempo e pagava um apartamento para mim em uma boa área de Hollywood. Nesse apartamento, comecei a receber clientes de alto nível, atores, pessoas da alta sociedade. Abri uma página na internet para oferecer o meu corpo; colocava anúncios em jornais.
A minha transformação física começou aí. Coloquei silicone, transformei meu rosto, meu nariz, meus lábios e raspei os ossos do rosto, da testa etc. Também entrei no alcoolismo e na cocaína a pedido de um cliente. Não me importava em usar proteção para ter sexo, porque sempre tinha relações drogado. Quando voltava à minha consciência, me preocupava, e ia ao médico fazer exames. Muitas vezes chegava em casa sem saber com quem.
Test12Decidi ir domingo à Igreja Universal. Foi quando escutei o bispo falar da Salvação eterna, de como será o destino daqueles que não serão salvos. O bispo mencionou o sofrimento eterno. Nesse momento, algo dentro de mim me dizia que eu estava perdido, que se eu morresse naquela situação não haveria chance para mim.
Tomei a decisão de mudar de vida e me batizei nas águas. Nesse dia do batismo me senti leve, uma paz que nunca havia experimentado na minha vida, como se alguém tivesse tirado de mim todo o peso que carregava.
Na Igreja Universal ninguém me criticou e não falou que eu tinha que mudar. Foi dentro de mim, foi incrível! Eu já não me sentia bem com o meu corpo transformado em mulher, pois estava diferente interiormente; queria uma mudança e tinha o desejo de arrancar do meu corpo tudo aquilo que havia colocado. Se eu pudesse arrancar tudo aquilo com as próprias mãos, sem dúvida eu teria feito, então comecei a remover tudo, pouco a pouco.
Passei a frequentar as reuniões de libertação, manifestei com demônios, e hoje sou um homem livre, sou realizado. De fato, tenho a felicidade que nunca tive.

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