O meu nome é Michael Bermudez, tenho 35 anos de idade.
Creio que tudo começou com uma maldição hereditária, porque o meu tio morreu muito jovem, com Aids. Logo depois disso, passei a não me sentir bem me vestindo de homem. Além do mais, dentro da minha casa, o meu padrasto agredia fisicamente a minha mãe e nos agredia também continuamente. Ele fazia escândalos, por isso decidi ir embora de casa para morar com a minha avó. Mudei de escola, e ali passei a observar um rapaz que se vestia como mulher.
Por um tempo não tive nenhuma aproximação, mas um dia, eu e alguns alunos que chegaram atrasados à escola fomos levados para uma sala, e entre esses alunos estava esse rapaz que se vestia como mulher. Então tive aí o primeiro contanto com ele. Passamos a ser amigos, e esse amigo me falou que eu deveria, nesse dia, roubar tudo o que eu pudesse. Saímos e roubamos em lojas e em um salão de beleza. Nessa mesma noite me vesti de mulher pela primeira vez e fomos para uma discoteca em Santa Mônica, Califórnia. Quando saímos do baile, um homem dentro de um carro começou a me chamar, então esse amigo me falou: “Vai lá, faz o que ele te pedir, e ele vai te dar dinheiro.” Era a primeira vez que eu me prostituía.
A partir desse momento, comecei a viver a prostituição todos os dias, a ponto de fazer muito mais vezes que esse amigo que me introduziu neste mundo. Perdi o interesse pela escola, abandonei totalmente as aulas e, nesse interim, meus problemas com minha avó aumentaram. Causei um desgosto muito grande para ela, a ponto de não querer me ver. Ela mandou colocar grades nas janelas para que eu não conseguisse entrar novamente na casa. Então, fui morar em um edifício onde o síndico era meu conhecido. Nesse tempo eu tinha apenas 14 anos. A minha rotina era me prostituir durante o dia.
Muitas vezes a polícia me levava ao Juvenile Hall (Casa de Detenção para Jovens), mas logo que saía voltava à minha rotina de prostituição. Também fui levado ao Group Home, lugar para jovens que saem da detenção e não podem voltar para a casa dos pais. Através desse lugar, regressei à escola novamente, mas dessa vez voltei assumindo a minha nova identidade, voltei vestido de mulher.
Eu já me encontrava completamente envolvido na prostituição. Um desses amigos usava drogas e começou a me oferecer. A princípio não gostei da maconha, mas, fumando com frequência, me adaptei. Eu tinha apenas 17 anos.
Passei a frequentar a mansão de um promotor de eventos de pessoas famosas. Esse homem me apresentou a droga chamada cristal, e também conheci o ecstasy, que me causaram mais problemas que eu já tinha. Fique magro, percebi que a minha pele estava ficando diferente, e apesar de ser jovem, parecia que a pele era de uma pessoa com mais idade. Todos os meses eu estava dentro da prisão por causa das drogas.
Eu já não dormia. Todo o tempo via vultos e imaginava que todos conspiravam contra mim. Além disso, tinha visão de demônios. Era tanta a agonia, o desespero, que até para tomar banho apagava a luz, porque pensava que alguém estava me perseguindo, observando.
A prostituição já não me rendia dinheiro, os clientes não tinham mas interesse em mim, porque estava demasiadamente magro, estava continuamente drogado.
Cheguei a ponto de dormir em uma praça, sem dinheiro, drogado e rejeitado.
Foi quando a minha avó me falou da Igreja Universal. Eu aceitei, e fui com muita droga na cabeça. Fui a uma reunião de libertação e, de uma forma incrível, perdi o desejo de usar cristal, mas não me entreguei a Jesus, apesar de ter consciência que aí estava a solução para mim.
Foi quando a minha avó me falou da Igreja Universal. Eu aceitei, e fui com muita droga na cabeça. Fui a uma reunião de libertação e, de uma forma incrível, perdi o desejo de usar cristal, mas não me entreguei a Jesus, apesar de ter consciência que aí estava a solução para mim.
Fui viver na casa de um familiar onde estive por um ano, mas por não ter condições de ajudar economicamente, tive que sair dessa casa.
Comecei a buscar lugar para morar, e logo encontrei duas pessoas que viviam na mesma condição que a minha. Fui viver com essas pessoas e conheci um advogado que era casado e tinha filhos. Tivemos um relacionamento. Ele foi o meu namorado por um tempo e pagava um apartamento para mim em uma boa área de Hollywood. Nesse apartamento, comecei a receber clientes de alto nível, atores, pessoas da alta sociedade. Abri uma página na internet para oferecer o meu corpo; colocava anúncios em jornais.
A minha transformação física começou aí. Coloquei silicone, transformei meu rosto, meu nariz, meus lábios e raspei os ossos do rosto, da testa etc. Também entrei no alcoolismo e na cocaína a pedido de um cliente. Não me importava em usar proteção para ter sexo, porque sempre tinha relações drogado. Quando voltava à minha consciência, me preocupava, e ia ao médico fazer exames. Muitas vezes chegava em casa sem saber com quem.
Tomei a decisão de mudar de vida e me batizei nas águas. Nesse dia do batismo me senti leve, uma paz que nunca havia experimentado na minha vida, como se alguém tivesse tirado de mim todo o peso que carregava.
Na Igreja Universal ninguém me criticou e não falou que eu tinha que mudar. Foi dentro de mim, foi incrível! Eu já não me sentia bem com o meu corpo transformado em mulher, pois estava diferente interiormente; queria uma mudança e tinha o desejo de arrancar do meu corpo tudo aquilo que havia colocado. Se eu pudesse arrancar tudo aquilo com as próprias mãos, sem dúvida eu teria feito, então comecei a remover tudo, pouco a pouco.
Passei a frequentar as reuniões de libertação, manifestei com demônios, e hoje sou um homem livre, sou realizado. De fato, tenho a felicidade que nunca tive.
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